Já não restam dúvidas sobre a importância da série
Call of Duty,
tendo alcançado o estatuto de uma das maiores potências do mercado dos games desta era, algo iniciado desde que a série trocou a 2ª Guerra
Mundial pela guerra moderna. E independentemente do que muitos pensam
acerca da
Activision, é impossível negar o quão crucial esta série foi para definir os
FPS desta geração.
Mantendo a tradição da
Activision em lançar um
Call of Duty todos os anos, chegou a vez da
Infinity Ward, em cooperação com a
Sledgehammer, voltar a demonstrar que tal sucesso não foi alcançado ao acaso, oferecendo-nos a continuação de
Call of Duty: Modern Warfare 2 que muitos aguardavam impacientemente.
Call of Duty: Modern Warfare 3 coloca-nos imediatamente após os acontecimentos do
Modern Warfare 2, num mundo ficcional moderno que acaba de assistir ao despoletar da 3ª Guerra Mundial. O capitão
Price e
Soap
continuam a ser procurados, enquanto perseguem e tentam expor ao
mundo o lunático que iniciou o conflito entre a Rússia e a América,
Vladimir Makarov. Sendo a história uma das razões de sucesso da série “
Modern Warfare”,
a tradição dita que vejamos a história de vários pontos de vista na
pele de vários personagens, culminando numa experiência que não
defraudará os fãs.
Todos
aqueles que não dispensam um bom modo solo, podem ficar descansados
acerca desta narrativa. Estamos perante uma narrativa que coloca um
ponto final satisfatório nesta trilogia da série “
Modern Warfare”.
Os típicos momentos dramáticos e frenéticos estão de volta, com várias
cenas explosivas e outras mais calmas que, certamente, irão trazer-vos
algumas memórias de jogos passados. Infelizmente, a campanha é curta,
mas suficiente para vos oferecer uma aventura excitante, cheia de acção
“hollywoodesca” numa enorme variedade de localizações espalhadas pelo
globo.
Dito isto, e visto que estamos perante o terceiro lançamento desta franquia da
Infinity Ward,
Call of Duty: Modern Warfare 3
não consegue causar o mesmo impacto que o seu predecessor. Este costuma
ser o problema que todas as produtoras enfrentam quando chegamos aos
terceiros capítulos, onde é muito difícil de se reinventarem reduzindo,
assim, as probabilidades de conseguirem surpreender os jogadores. Algo
patente desde o início deste terceiro capítulo, está a intenção da
Infinity Ward
em refinar o que foi feito anteriormente e embora consiga arrancar-nos
um ou outro “wow!”, aqueles que procuram cenas memoráveis como do mítico
“No Russian” – que chocou tudo e todos - poderão ficar um pouco
desapontados.
Para além do modo campanha,
Modern Warfare 3
conta com o regresso do modo “Spec Ops”, onde um ou dois jogadores se
juntavam para completarem vários objectivos. Neste modo foram
introduzidos novos mapas – a maior parte foi retirada do modo campanha –
que variam entre desactivar bombas ou recolher amostras.
A
grande novidade do modo “Spec Ops” está na introdução do modo Survival
onde, até um máximo de dois jogadores, terão de sobreviver várias vagas
de inúmeros inimigos. Nele, irão ganhar dinheiro que poderá ser
utilizado para comprar
perks, armas, e equipamento. Claramente, esta é a resposta da produtora ao modo “Zombies” da
Treyarch, que apenas peca por ser um modo de sobrevivência com um limite de dois jogadores.
Porém, desde
Call of Duty 4: Modern Warfare que os modos mais jogaodos pelos jogadores são os modos multijogador competitivo. Neste departamento,
Modern Warfare 3 vem novamente muito bem servido, graças ao trabalho da
Infinity Ward em alterar aspectos menos conseguidos dos jogos anteriores, dando uma maior profundidade e acessibilidade a todos os jogadores.
A maior alteração está na maneira como o sistema de
Killstreak
foi alterado. Existem agora três pacotes – Assault, Support e
Specialist - construídos para os diferentes tipos de jogador e
assegurando que todos tiram partido do jogo. Esta nova maneira de jogar
consegue ser bem-sucedida em ajudar os mais novatos da série, bastando
apenas escolher o que mais se adequa ao vosso estilo de jogo.
A Assault Package foi criada a pensar naqueles jogadores que conseguem
manter uma série de mortes sucessivas sem morrerem. Os que o conseguirem
fazer terão acesso a todo um role de ferramentas de ataque como
“Predator Missile” ou “Assault Drones”. O Support Package, como o nome
indica, está mais virado para aqueles jogadores que gostam de ajudar os
outros e realizar acções de suporte. Este pacote oferece a possibilidade
de manter sucessão de mortes, mesmo que sejamos abatidos no processo.
Obviamente, esta é a classe que tem direito a
UAV,
Counter UAV e até o
Advanced UAV.
Por fim, temos o Specialist Package que foi criada com o intuito de
favorecer os prós, aqueles jogadores que conseguirem manter a sucessão
de mortes irão desbloquear uma nova
perk a cada duas mortes, o que na realidade quer dizer que bastam 8 mortes para o jogador ter acesso a todas as perks do jogo.
O
uso destas “Strike Packages” retira a importância de matar e de ser “o
maior da aldeia”, privilegiando a obtenção de pontos. Ou seja, através
deste sistema, a
Infinity Ward consegue fazer o jogador
sentir-se recompensado pelos diferentes tipos de acção, seja ela
capturar uma bandeira ou assistir na morte de um inimigo. Todos ganham
alguma coisa de uma forma mais justa que nos anteriores títulos.
Mas
o trabalho da produtora não ficou por aqui, sendo que as perks foram
também alvo de várias mudanças. A mais notória está no facto das
perks que eram centradas em dar vantagem a um único jogador, foram trocadas por outras mais viradas para o suporte. Assim sendo,
perks como
Stopping Power e
Last Stand
– para o agrado de muitos - saltaram fora, enquanto outras como o Blind
Eye e Assassin foram implementadas. Embora só a longo prazo possa ser
dito se estas alterações foram ou não bem-sucedidas, eu notei um maior
equilíbrio no sistema de jogo, sendo algo que a série
Modern Warfare necessitava.
Quanto a modos de jogo podem contar com os habituais “
Team Deathmatch”, “
Domination”, “
Capture da Flag” entre outros, assim como a estreia de dois novos: “
Kill Confirmed” e “
Team Defender”. O primeiro trata-se de uma variação do modo “
Team Deathmatch”, onde a morte de um membro adversário só é válida após a aquisição da “
Dog Tag” largada pelo inimigo abatido. A equipa adversária pode evitar esta morte capturando a chapa de identificação. No “
Team Defender” as equipas ganham pontos cada vez que conseguirem transportar a bandeira sem deixarem cair.
A
Beachhead teve também um grande papel para esta nova aventura da
Infinity Ward e
Sledgehammer, com a criação do novíssimo
Call of Duty Elite,
uma ferramenta social que leva a série mais além. Aqui poderão
consultar todas as vossas estatísticas, formar clãs, procurar ajuda
“profissional”, através da disponibilização de vídeos e textos dos mais
variados assuntos relacionados com o jogo, e até partilhar vídeos,
partilhar vídeos e esfregar no
facebook quem manda. O
serviço base é gratuito, podendo ser actualizado para a versão “pro”
mediante do pagamento de uma quantia. Infelizmente, este serviço não se
encontra disponível no
PC, nem a totalidade das suas opções no nosso país, devido à legislação portuguesa.
Se são daqueles que procuram grandes mudanças no grafismo ou na jogabilidade, podem tirar o “cavalinho da chuva”. A
Infinity Ward claramente preferiu jogar pelo seguro ao não alterar a fórmula de
Call of Duty: Modern Warfare,
limitando-se a introduzir mais conteúdo e a afinar a sua estrutura de
multijogador. Mais uma vez, o gozo e a rapidez proporcionada pela acção
do jogo continuam a ser a razão dos elevados graus de "viciação" que os
jogadores apresentam.
Modern Warfare 3 traz-nos a
conclusão da história iniciada em 2007 e o aperfeiçoar da fórmula
multimilionária que o tornou tão conhecido. É certo que não encontrarão grandes surpresas neste terceiro
capítulo da série mas as produtoras envolvidas no
projeto conseguiram mostrar que isso não significa, de todo, que este
não seja o
shooter que os fãs desejavam.